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João Monteiro Neto A Caatinga e o Aboio Nordestino
JOÃO MONTEIRO NETO
Advogado Pesquisador Escritor
O CANTO DO ABOIO NORDESTINO
O aboio típico do nordeste brasileiro é um canto sem palavras, uma melodia de maneira lenta, adaptada ao andar vagaroso dos animais, sempre finalizado por uma frase de incitamento: ei boi!, boi surubim!, ei lá bonzinho!.
No sertão do Brasil é sempre um canto individual, livre, sem letras à não ser o incitamento final que é falado e não cantado.
Existe também o aboio cantado ou em versos que são poemas de temas agropastoriais.
Pode aboiar-se no mato a orientar companheiros dispersos durante a pegas de gado, na porteira do curral enquanto se dá a entrada dos animais e\ou guiando a boiada nas estradas.
Poucas pessoas sabem a poesia que sai das cordas vocais de um aboiador , penalizado pela seca que lhes tira a vida. Ouvir o perfeito aboio do vaqueiro é sentir saudade da saga mais que heróica de Luiz Gonzaga, tendo sempre a lembrança de Raimundo Jacó campeador de gado das caatingas pernambucanas, assassinado covardemente em solo sertanejo por outro vaqueiro companheiro amigo seu.
O aboio não é divertimento, é coisa séria, antiga e respeitada pelos vaqueiros da caatinga nordestina.


A Morte do Vaqueiro - Luiz Gonzaga
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