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João Monteiro Neto A Caatinga e o Aboio Nordestino
JOÃO MONTEIRO NETO
Advogado Pesquisador Escritor
ABOIO III – PALAVRAS FINAIS
João Monteiro Neto
A história da Turquia tem o mesmo tempo das civilizações conhecidas. Já era habitada desde 20.000 antes de cristo. Esse espaço da eurásia foi palco e testemunho da subida e queda de inúmeras civilizações, hititas, persas, assírios, lídios, frígios, gregos, romanos/bizantinos, por exemplo. O monte sagrado do ararat (arca de Noé) não é símbolo religioso apenas cristão, compartilha essa condição com o Islã e os hebreus. O homem já presenciava nas cavernas da Capadócia, na Anatólia Central, o movimento das caravanas de seu semelhante no comércio intenso de riquezas (seda e especiarias) e de escravos, vindas do oriente e do ocidente, e vice e versa, como do norte da África em constante circulação de costumes e culturas entre o mesmo oriente e ocidente. Bizancio/Constantinopla era o ponto obrigatório de passagem e paragem – “O Umbigo do Mundo”. A grande Bizâncio viria a cair no futuro, mudando o rumo da história, mas não a mescla da etnia dos povos que por ali passavam livres, ou na condição de escravos, misturando crenças, hábitos e modo de viver e se organizar. Na cidade de Nevsehir/Museu Aberto de Goreme/urgup, vê-se deslumbrantes formações rochosas vulcânicas em formas cônicas, chamadas de peri bacalari (chaminé das fadas), que abrigava no mundo antigo civilizações primitivas em seu interior (subterrâneos), onde se escondiam das caravanas mercantis que por ali passavam. Esse povo não era guerreiro. Era nativo dali da região, acreditava que o poder religioso e dos deuses, emanava de debaixo de seus pés, da terra, e assim nela se escondia, plantava, criava e enterrava seus mortos sem aparecer ao mundo exterior, a se proteger de potenciais invasores. Sempre a religião e o instinto de preservação no encalço da humanidade ... O som era fundamental então para percorrer alguma distância, levando noticias na comunicação entre eles e demais povos que por ali passavam; tanto em tempo de paz ou de guerra, como na iminência do perigo conquistador que era uma constante. Seu entorno estava cheio deles.
É possível presenciar a passagem do mundo católico cristão por ali (século 9º), constatada por capelas e mosteiros, ornamentados em seu interior com afrescos bíblicos em suas paredes, inclusive retratando a vida de Cristo (igreja de tokali). Esse maravilhoso mundo turco ainda possui em seus domínios as ruínas de Tróia, Ephesus, as cidades de Izmir, de Bursa, Canakkale, Esmirna, Pergamo, Isparta, Pamukkale, Konya, Agri e Igdir, constituindo-se no maior sítio arqueológico do mundo. Lá viveu Maria, mãe de Cristo, seus últimos dias, às margens do Egeu, sob a proteção de João Evangelista.
O Mavi boncuk (pedra azul/equivocadamente chamado de olho grego, na verdade é turca!), e está intimamente ligada à proteção permanente contra o mau-olhado. Em uma de minhas viagens, quase "apanhei" de um otomano, por referir-me a sua pessoa como sendo um árabe, e como sendo de origem grega o Mavi boncuk! O Alcorão compartilha muitas histórias e profetas com a bíblia. As civilizações moura e hindu foram vistas milhares de vezes na história – principalmente no período da expansão islâmica (632-732)-, fraternalmente unidas em romaria à Meca.
A integração das culturas orientais é fantástica. A circuncisão, por exemplo, também é costume turco! Advindo da tradição islâmica. Como o é no mundo hebreu!
Como se explicar o resultado de toda essa miscelânea, cultural? Além de importante centro comercial ligando todo fluxo entre o oriente e ocidente, Bizancio/Constantinopla, constituiu-se no primeiro e maior pólo cosmopolita e centro da formação cultural de todos os povos. O aboio ao mesmo tempo efusivo grito de guerra, também tem na outra face mensagem de festiva paz, dependendo do momento. É canto antes de tudo disciplinador e de reflexão. Ecumênico, poeta e guerreiro, antes de tudo é símbolo da coragem e sobrevivência do homem em terras hostis.
Existem estudos da engenharia genética muito recentes, evidenciando a existência de linhagens mitocondriais berbere presentes na população portuguesa, ausentes no resto da Europa. O berbere não chega a ser uma raça nem uma etnia. Consiste no conjunto de povos que vive no norte da África e que falam línguas berberes. Dessa situação geográfica, colada aos balcãs, as migrações eram recorrentes. O oriente estava bem ali. Esse fato, fortalece a tese dos que defendem uma herança ancestral desse povo nos hábitos, usos e praticas portuguesas, ainda mais no campo religioso -, considerando o fato de que tribos muçulmanas de origem berbere conquistaram a península ibérica (711), e terem habitado o que hoje é Portugal. Foram seis séculos no algarve, no sul do país, onde deixaram marcas profundas de sua presença, sendo tolerantes na conquista e preservação dos costumes, criando permanente intercâmbio entre cristãos, muçulmanos, hebreus e hindus.
Jesus, para o islão é ‘Isa. E, o Alcorão concebe ‘Isa, como um espírito criado por Allá e que foi soprado para dentro de Maria (Sura Al ‘Imran 3:47,59).’Alla não gera! Alla é único! ‘Isa é servo de Allá. Sendo Allá incomensuravelmente maior que ‘Isa, que voltará nos fins dos tempos para matar os anticristos e converter a humanidade ao Islão. Isso é história! História é movimento ! Aboio é movimento ... portanto é história ...
Assim, não podemos e nem devemos olvidar, que a mistura de tantas religiões, ritos, crenças, migrações de raças, costumes e culturas, não viesse oferecer tantos obstáculos ao desvendamento da origem do aboio por tanto tempo, onde fixou-se no Brasil no corpo da figura cultural do vaqueiro nordestino.
TRECHO DO LIVRO DE JOÃO MONTEIRO NETO, em finalização "Sertão e Oriente
Missa do Vaqueiro"


ABOIO III - FINAL WORDS
João Monteiro Neto
The history of Turkey has the same time the known civilizations. It was inhabited from 20,000 before Christ. This space was the Eurasian stage and witness to the rise and fall of many civilizations, Hittites, Persians, Assyrians, Lydians, Phrygians, Greeks, Romans / Byzantines, for example. The sacred mountain of Ararat (Noah's Ark) is not only Christian religious symbol, shares this condition with Islam and the Hebrews. The man already witnessed in the caves of Cappadocia in Central Anatolia, the movement of caravans of his fellow in heavy trading wealth (silk and spices) and slaves, coming from the east and the west, and vice versa, as the northern Africa in constant circulation of customs and cultures of the same East and West. Byzantium / Constantinople was the obligatory point of passage and stop - "The Navel of the World". The great Byzantium would fall in the future, changing the course of history, but not to put the ethnicity of the people who passed by free, or as slaves, mixing beliefs, habits and way of living and organizing. In the city of Nevsehir / Open Museum of Goreme / urgup, you see breathtaking volcanic rock formations in conical shapes, peri calls bacalari (fairy chimney), which housed the world ancient primitive civilizations inside (underground) where they hid of commercial caravans that passed by. This people was not warrior. There was a native of the region, believed that the religious power and the gods, emanated from under his feet, the earth, and so it was hidden, planted, created and buried their dead without appearing to the outside world, to protect themselves from potential intruders . Where religion and the preservation instinct in pursuit of mankind ... The sound was so essential to go some distance, bringing news on communication between them and other people who passed by; both in times of peace or war, as in imminent danger conqueror who was a constant. Its surroundings was full of them.
You can witness the passage of the Catholic Christian world over there (9th century), found by chapels and monasteries, decorated inside with biblical frescoes on the walls, including depicting the life of Christ (tokali Church). This wonderful Turkish world still has in his dominions the ruins of Troy, Ephesus, the cities of Izmir, Bursa, Canakkale, Izmir, Pergamum, Isparta, Pamukkale, Konya, Agri and Igdir, becoming the largest archaeological site in the world. There lived Mary, mother of Christ, his last days on the shores of the Aegean, in the John the Evangelist protection.
The Mavi boncuk (blue stone / mistakenly called Greek eye, is actually Turkish!), And is closely linked to permanent protection against the evil eye. On one of my trips, almost "caught" an ottoman, for referring me to his person as an Arab, and as being of Greek origin the Mavi boncuk! The Quran shares many stories and prophets with bible. The Moorish civilizations and Hindu were seen thousands of times in history - especially during the period of Islamic expansion (632-732) - fraternally united in pilgrimage to Mecca.
The integration of Eastern cultures is fantastic. The circumcision, for example, turkish is also usual! Arising from the Islamic tradition. As it is in Hebrew world!
How to explain the result of all this hodgepodge, cultural? Besides being an important commercial center linking all flow between East and West, Byzantium / Constantinople, constituted the first and most cosmopolitan hub and center of cultural training for all people. The aboio while boisterous cry of war, also has on the other side message festive peace, depending on the moment. It corner first of all disciplinary and reflection. Ecumenical, poet and warrior, first of all is a symbol of courage and survival of man in hostile lands.
There are studies of very recent genetic engineering, demonstrating the existence of Berber mitochondrial lineages present in the Portuguese population, absent in the rest of Europe. The Berber is hardly a race or an ethnicity. Is the set of people who live in North Africa and who speak Berber languages. This geographical situation, glued to the Balkans, migration were recurrent. The East was right there. This fact strengthens the argument of those who defend an ancestral heritage of this people in the habits, customs and practices Portuguese, especially in the religious field - considering the fact that Muslim tribes of Berber origin conquered the Iberian Peninsula (711), and have inhabited what is now Portugal. Were six centuries in the Algarve, in the south, where left deep traces of his presence, being tolerant in the conquest and preservation of customs, creating permanent exchange between Christians, Muslims, Jews and Hindus.
Jesus, for Islam is' Isa. And the Qur'an conceives' Isa as a spirit created by Allah and that was blown into Mary (Sura Al 'Imran 3: 47.59).' Alla does not generate! Alla is unique! 'Isa is Allah's servant. Allah is immeasurably greater than 'Isa, who will return in the end times to kill the Antichrist and convert humanity to Islam. This is history! History is moving! Aboio is movement ... so is history ...
Thus, we can not and we must not forget that the mixture of many religions, rituals, beliefs, races migration, customs and cultures, did not come to offer so many obstacles to revealing the aboio of origin for so long, where he settled in Brazil in body of the cultural figure of the northeastern cowboy.
STRETCH OF JOÃO MONTEIRO NETO BOOK on completion
"Sertão e Oriente
Missa do Vaqueiro"

A civilização nordestina e sertaneja anda de mãos dadas com vários aspectos substanciais e intrínsecos, peculiares a ela, que lhes dão sustentáculo de vida, tais como : credo, folclore, costumes e espiritualidade. Entre esses elementos, acrescente-se ainda o da “cultura do vaqueiro e artesãos do couro”. Aliás, assim sempre caminhou a história da cultura humana, não se podendo retirar dela (cultura) nenhum elemento inerente á sua formação, sem o seu comprometimento. Se assim não o fosse, a humanidade correria o grave risco de perecer em suas várias manifestações de expressão. Faleceria com ela, o homem, seu instrumento cultural imprescindível, por excelência e essência.
Foram esses aspectos multiformes, só inerente á cultura do Vaqueiro (daí sua riqueza) -, que levaram João Câncio e Luiz Gonzaga, com a contribuição de Pedro Bandeira e milhares de Vaqueiros, a fundar o maior evento do gênero no Mundo : a “Missa do Vaqueiro”, em Serrita/PE.
Assim, os festejos não possui concepção puramente religiosa. É ele, antes de tudo, fruto da “manifestação popular da cultura nordestina”, espalhada pelos quatro cantos do nordeste. Por outro lado, o evento não pode ser concebido em sua inteireza sem o sentimento espiritual e religioso de nosso povo, fruto perfeito da Inspiração Divina que miscigenou o negro, o branco e o índio, fazendo nascer a poética raça brasileira.
Cultura é coisa séria e, antes de mais nada, um conglomerado de informações da vida de determinado povo, que precisa ser transmitida ás gerações com o passar do tempo, fielmente. Nosso Vaqueiro representa o índio, a civilização escrava colonial portuguesa, e o branco que, juntos, desbravaram e integraram os Sertões de Euclides da Cunha e Guimarães Rosas, de Antônio Conselheiro e Luiz Gonzaga, de “Padim Ciço”, e de tantos outros sertanejos anônimos, unificando o nordeste brasileiro em torno de uma só origem. João Câncio sabia disso, e o que fez, há 38 anos atrás, foi celebrar um ato religioso (com a participação de todos sertanejos que comungavam do mesmo pensamento), neste local do sítio Lajes, em Serrita/PE, em homenagem a um certo Vaqueiro Raimundo Jacó, injustiçado e covardemente morto pela inveja, na caatinga. A luta pela regulamentação de sua profissão e Registro Cultural Imaterial do Brasil, são apenas duas de suas bandeiras. Hoje, o Parque do Vaqueiro continua sendo visitado por todas essas raças e crenças, simbolizando um só Brasil, e o ato relembrado com reverência e orgulho de todo nordestino, juntos numa só voz : “somos seres humanos brasileiros, e temos cultura para mostrar!”.
João Monteiro Neto

Alforria
Desde muito cedo sou um apaixonado pelo sertão e seu povo.
Por suas coisas e “causos”. Suas tradições. Costumes. Crenças. Cultura. Sabedoria popular. Coragem e fé.
Fortes. Intransponíveis. Únicas.
Aliás, o tema “vaqueiro” é fascinante. Tanto no campo histórico, como no sociológico e poético.
Música, dança e várias das manifestações populares sertanejas, são expressões de uma riqueza cultural incomparável, só existente numa civilização miscigenada como a nossa.
A história da cultura do vaqueiro é uma história que maravilha a todos, de fé, amor, renúncia, injustiça e solidariedade. É como bem se reportou nossa campanha desse ano de 2007 : “Mais forte que o sol e a seca, só a fé”. E vaqueiro é símbolo de fé.
Saber governar é antes de tudo saber compreender e distribuir justiça social, respeitando a história, a individualidade das pessoas, e suas conquistas.
A comunidade vaqueira se uniu dentro desse propósito e conseguiu seu objetivo : o Parque Estadual do Vaqueiro João Câncio de volta, sob os seus cuidados, valorizando e resgatando sua cultura.
A história das tristes lutas e perdas do passado deve ser esquecida e a união, agora, prevalecer.
Temos certeza do vigor inatacável dessa “união”, pois não se ataca homens “pacíficos” e “tementes” a DEUS! Hoje, a perseguição a cultura sertaneja acaba aqui, durante a realização da “37ª. Missa do Vaqueiro”, sob os olhares atentos e abençoados do nosso PAI.
Não existe povo livre quando lhe são tomados a alma, a cultura e seu modo de pensar.
Agradecemos ao Governador Eduardo Campos por mais essa conquista.
Luiz Gonzaga e João Câncio não morreram em vão.
João Monteiro Neto
A Morte do Vaqueiro - Luiz Gonzaga
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